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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

QUANDO MINHA MÃE SE FOI

Já narrei em algumas das minhas palestras o dia em que minha mãe retornou à dimensão espiritual. O colosso das mais intensas emoções e as reflexões mais acuradas expressaram a importância daquela data para o meu coração.

Era madrugada naquela dia de maio. estava em meu plantão de acompanhamento de minha querida mãe, ali prostada em coma. Recordo - me que lia o grandioso livro do extraordinário poeta do espiritismo, Leon Dennis," O Problema do Ser, do Destino e da Dor", que recvomendo à qualquer criatura que deseje encontrar alent para o coração e luz para a razão. De vez em quando olhava para o corpo inerte daquela mulher encantadora, fantástica, que me recebeu com tanta nobreza nesta encarnação. Olhava- a e pensava em suas lutas para educar nove filhos(foram dez mas um morreu logo cedo). Suas lágrimas silenciosas, sua fibra e coragem, seu sofrimento quase anônimo.

Noites insones quando estávamos doentes. Uma leoa quando achava que sua prole estava sendo ameaçada. Agora, ali estava ela, semaquele brilho de ternura nos olhos, sem aquela energia firme de zelo.A emoção era minha companheira naquele instante. E naquela madrugada, algo me fez olhar na sua direção no momento em que exalava o ultimo suspiro. Estava com toda a aprelhagem com oxigenio. Mesma assim, parou de respirar e seu rosto, que estava inchado, ganhou uma beleza transcendente, uma serenidade que a tornava mais fascinante.

Meu pai sentiu uma dor profunda mas manteve a serenidade. Sentia solidão. Foram quase cinquenta anos de convivencia.Digo a voces que vi quando ela foi levada por dois espiritos muito altos e belos. Tomaram - na nos braços com tal carinho que chorei, deslumbrado e agradecido à Deus pela ternura com que a tratavam. Faziam o que eu gostaria de ter feito àquele instante.

Chamei a enfermeira, os médicos vieram e atestaram o seu falecimento. Maseles não viam o que eu via. E não entendiam a calma que minha familia apresentava durante todo o doloroso processo. Tinhamos o conhecimento espirita, o contato com os mortos e a certeza do reencontro, da imortalidade. Olhando para o céu naquela madrugada, agradecido pelo amparo do Alto, disse que levaria à toda a parte que me fosse facultado a beleza do conhecimento espirita. Nos locais mais humides aos centros mais desenvolvidos. Fazem, pois, 30 anos desse sentimento. E venho buscando cumprir o compromisso de entregar a grandiosa mensagem da nova era.

Minha mãe se fora para que eu viesse entregar a mensagem com a alma e a voz.E quando falo, sinto seu sopro de amor, sorrindo pelo seu filho que, apesar de tantas mazelas intimas, continua desejando entregar a mensagem. Vale à pena prosseguir.


4 comentários:

  1. Até perder a minha mãe de criação (vó), eu não tinha noção de que eu era capaz de suportar qualquer dor nessa vida. A partir desse momento, tudo muda, e mesmo quando temos algum conhecimento espírita, que nos conforta e muito...a dor da saudade é muito profunda e vez por outra nos pegamos lembrando de bons momentos juntos da nossa mãe amada. Ao mesmo tempo ficamos mais fortes, por percebermos que se suportamos a dor da perda de um amor tão precioso, suportaremos qualquer outra dor. O conhecimento espírita me conforta e me faz entender que continuo sendo amparada pela minha mãe (vó), do mesmo modo, e talvez até com mais frequência do que quando encarnada, já que morávamos fisicamente distantes.

    Adorei o texto, e esse trecho... "
    Minha mãe se fora para que eu viesse entregar a mensagem com a alma e a voz..." me arrancou lágrimas. Parabéns amigo! Esse eu gostei...rsrsrsrs Beijos, e,...continue usando a sua alma para entregar a mensagem...

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  2. A beleza dessas palavras enche-me a alma...

    Sem comentários diante de tanto ensinamento.

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  3. Quando soube por um médico que minha mãe iria partir, recusei-me a acreditar. Ainda era criança no pensar e não imaginava a vida sem ela. Naquele momento quis morrer, e teria morrido não fosse o amor dela maior que o meu egoísmo. Acordei com ela cuidando de mim, quando eu é que deveria cuidar dela. Anos se passaram, a saudade deu lugar a revolta e fechei meu coração. Não queria mais amar quem fosse. Veio à mediunidade a me mostrar que ela precisava de mim e finalmente fui buscar na Doutrina Espírita o socorro para ela e o entendimento para mim. Hoje ela continua a zelar por mim. Sinto sua presença, às vezes até seu cheiro, ouço sua voz e sou grata a Deus e a Doutrina Espírita,que me permitiu entender que ela não deixou de existir, foi para outro plano. Sou espírita graças a minha mãe. Foi para ajudá-la que busquei a doutrina espírita e dou graças a Deus por isso.

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